segunda-feira, 26 de março de 2012

Cortes de Cima 2007


Este é um clássico português, um vinícola que se você ainda não conhece, não sabe o que estás a perder.

As Cortes de Cima são uma propriedade de 365 hectares, uma dimensão média para o Alentejo. 140 hectares estão plantados com vinha, 50 hectares com oliveiras e 70 foram reflorestados com sobreiros, azinheiras, pinheiros e alfarrobeiras.

Terroir = solo, localização, clima

Nesta região, o solo é argiloso e o subsolo calcário, permitindo uma boa drenagem. Este é um aspecto importante para as vinhas. As nossas estão aninhadas na encosta da Serra do Meandro, com 400 metros de altura, que delimita o baixo Alentejo.

A região alentejana da Vidigueira usufrui de uma excelente exposição solar, com temperaturas quentes e secas no Verão e temperadas pelas frescas brisas atlânticas. A precipitação média é de cerca 500-600 mm e concentra-se maioritariamente nos meses de Inverno, em que se regista pouca ou nenhuma geada.

Como outros portugueses, este também traz o código AVIN AVIN0292755246691.

Vamos então ao que achei deste vinho:

Visual: Tradicional garrafa deste clássico do Alentejo. Conheço o rótulo de longe. Ao abrir a cápsula me deparo com uma característica que me agrada bastante. A rolha também vem safrada. A rolha é de compensado de cortiça o que eu não esperava para um vinho português. Coloração ainda viva, escura e intensa, mas já sem tantos sinais de violáceo. Lágrimas gordas, rápidas, por toda a taça e com leve coloração.

Olfato: Intenso, complexo e explodindo em aromas diversos. São cinco castas que compõem este blend Alentejano. Nas frutas destaco as vermelhas, com especial presença de cereja. Em harmonia temos também nuances florais, provavelmente provenientes da Touriga. Leve tostado da madeira e especiarias finanlizam a análise olfativa.

Paladar: O ataque inicial na boca, assim como no nariz, também é itenso e ocupa cada pedacinho da boca. Os taninos estão presentes, mas já bem macios. Acidez super presente e se destacando. O sabor em boca é essencialmente frutado, com leve dose de mineralidade. Boa textura em boca, chegando a ser um vinho guloso. Final de boa persistência.

O que a Cortes de Cima fala sobre seu vinho:
  
Castas: 56% Syrah, 20% Aragonez, 11% Cabernet Sauvignon, 8% Petit Verdot, 5% Touriga Nacional

Ácidos Totais: 5.2

pH Final: 3.58

Açúcares Residuais: 2,9

Álcool: 14%

Estágio em Barrica: 12 meses em Carvalho Francês (80%)/Carvalho Americano (20%)

Filtrado e engarrafado em: Maio 2009

Lançamento: Julho 2009

Produção total: 136.691 garrafa

Vindima 2007

Este ano o período de maturação das uvas foi retardado, originando bagos com baixo baumé e vinhos com menos álcool mas mais elegantes. Tanto no início como no fim da vindima, o tempo esplêndido, com dias quentes e solarengos alternados por noites frias, foi interrompido por períodos de severas trovoadas. Um Setembro pouco usual, bastante húmido, destruiu as nossas esperanças e o ano que se apresentava como potencialmente excelente acabou por se revelar num ano de qualidade acima da média.

Vinificação

Este vinho foi produzido a partir de uvas rigorosamente seleccionadas pelo que estavam num óptimo estado de maturação. Foram fermentadas sem engaço, a temperaturas controladas, e regulares delestage, com um alargado período de maceração  das películas para melhorar o aroma a frutos e conseguir um bom equilíbrio e estrutura de taninos. Envelhecido durante 12 meses em barricas de carvalho francês (80%) e americano (20%), obtendo um vinho com componentes de fruta e carvalho equilibrados. Engarrafado, sem colagem e com filtração em Maio de 2009.

Notas de Prova

Vibrante, de cor vermelha profunda. Aromas a frutos de bagos vermelhos, a sugerir cerejas e ameixas, com menta, chocolate e alguma complexidade da madeira. Suave, com um equilíbrio perfeito, elegante no paladar, com fruta e taninos sedosos. Tem um equilíbrio cativante e um fim de boca muito persistente,  mostrando-se um óptimo vinho jovem, mas com intensidade e estrutura para melhorar por vários anos em garrafa. Um exemplo muito bom da excelente vindima de 2007, com boa pureza de fruta e elegância no estilo.

O que diz a Wine Spectator:

Pontos: 89

Review:

Offers the essence of blueberry and raspberry, supported by a firm structure, with mineral and smoke. Medium-grained tannins fill the long, firm finish, with notes of black olive. Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot and Touriga Nacional. Drink now through 2014. 11,390 cases made. –KM

O que diz a Wine Advocate, de Robert Parker:


Pontos: 88
Degustador: Mark Squires
Maturidade: Beber entre 2009 e 2016

Review:

The 2007 TINTO, merely labeled “Cortes de Cima,” is the mid-priced entrant in the lineup, a blend this year of Aragonez, Syrah, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional and Petit Verdot aged for 12 months in barrel. If you want to see what happens to the Chamine reviewed this issue with more depth, concentration and structure…voila. This is nicely focused, with some concentration and intensity of flavor and grip on the finish. It has a modern, New World style, but turns a little austere and crisp on the finish, too. If you like the style—fruit forward and flavorful—this is a very good vintage for this wine. The winery recommends drinking by 2014—that sounds about right, but I think it should hold a bit longer, even if not at peak. Drink now-2016.


Um vinho que não tem fama a toa! Já está pronto para ser bebido, com certeza aguenta mais uns 3 ou 4 anos em garrafa, ou até mais, mas não acredito que vá melhorar. Se tem uma garrafa por aí abra e se delicie. Pela sua qualidade e preço entra pra lista de custo x benefício.

In Vino Veritas!

Gustavo Kauffman (GK)


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